segunda-feira, 23 de março de 2009

ZEPPELINS EM PORTUGAL

LZ 127 sobrevoando os Açores (Ilha Terceira) em 1929, na sua volta ao Mundo - Col. CAM


No final da Iª. Grande Guerra, os transportes tiveram um grande “boom”. Havia necessidade de deslocar mais rapidamente, especialmente entre Continentes, as populações, e os grandes navios atravessavam o Atlântico cada vez mais velozes. Por outro lado, os primeiros passos para viagens regulares entre o Atlântico Norte e a Europa começavam a surgir no horizonte. Mas a distância era uma barreira! Atravessar sem fazer paragens, era um obstáculo difícil, perigoso e caro. Com o Atlântico Sul, a dificuldade era maior. A distância entre as principais cidades europeias e a América do Sul (Brasil e Argentina) tornava tudo mais complicado. Era necessário “aproveitar” pontos de referência, como ilhas ou navios em alto mar que pudessem dar apoio e ajudar em eventuais situações de socorro e de reabastecimento de fuel. Assim se explica que após o término da Guerra ninguém tivesse conseguido atravessar qualquer dos hemisférios numa só jornada. Se no hemisfério Norte a distância de 3.200 milhas entre Nova York era penosa, o que dizer da travessia entre Sevilha e Rio de Janeiro, com 6.529 milhas. Os pontos estratégicos que eram as ilhas dos Açores, Madeira, e Cabo Verde (Portugal), Bermuda (Britânicas) Canárias (Espanha) e Rochedos de São Paulo e Fernão de Noronha (Brasil), tornavam-se essenciais para apoiar nas rotas os “novos navegadores do ar”.
Portugal ganha assim importância estratégica, devido à sua localização, à sua situação climática e, não surpreende ao serem os pilotos portugueses os primeiros a atravessar o Atlântico Sul (Lisboa/Rio de Janeiro) em 1922. Após toda uma competição em torno do êxito e glória em ser o primeiro, torna-se demais evidente que nem sempre o primeiro é o verdadeiro vencedor, mas o que melhor irá controlar as rotas aéreas, explorando-as aos voos comerciais, tornando viagens de navio de várias semanas em apenas alguns dias entre os destinos escolhidos pelos passageiros. Por outro lado o transporte do correio, passa a voar nos novos destinos de eleição a uma velocidade vertiginosa para a época.

Em 1924, o Zeppelin LZ126, faz a sua primeira viagem non-stop entre Friedrichshaven, no Sul da Alemanha e Lakehurst, New Jersey, depois de sobrevoar os Açores e Bermudas. Pelo comando do Dr. Hugo Eckener, Director de Operações da Companhia Zeppelin, e o seu dirigível Los Angeles. Está aberta a porta da sua exploração comercial no Hemisfério Norte. Sob a sua direcção, constrói-se o dirigível LZ 127, inaugurado em Setembro de 1928 e, batizado com o nome de Graf Zeppelin. Capaz de atingir a velocidade de 80 milhas por hora, o LZ 127, fará a travessia até Lakehurst com 45 convidados e 20 passageiros, deslocando-se mais a Sul da Europa, para aproveitar as correntes de vento e o bom tempo. Chegará a 15 de Outubro a New York, depois de sobrevoar Gibraltar, Madeira, Açores, Bermuda, Washigton DC e Baltimore, numa distância de 6,168 milhas e, no tempo final de 111 horas e 44 minutos.

1930, marca a primeira viagem à América do Sul. O voo é feito em três etapas, entre 18 de Maio e 6 de Junho com 38 passageiros a bordo. A primeira etapa será entre Friedrichshaven e Sevilha. A segunda, entre Sevilha, sobrevoando as Ilhas Canárias, Cabo Verde, Rochedos de S. Paulo e Fernando de Noronha, em rota para Recife, Brasil. A sua duração foi de 61 horas e 52 minutos para as 5.500 milhas de voo, e dois dias depois, chegará ao Rio de Janeiro 1.500 milhas mais.
O regresso far-se-á, com uma rota diferente para incluir os Estados Unidos. Em 28 de Maio, o “Graf Zeppelin” voará até Lakehurst depois de 3 dias de paragens, sairá sobrevoando os Açores, na rota para Sevilha para desembarcar passageiros espanhóis. Dali voará para Friedrichshaven onde chegará a 6 de Junho de 1930.
Continua...

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